Sigur Rós – Ágætis Byrjun

Jorge Oliveira, baixista dos portuenses malcontent, um dos rostos da informação da RTP3 e membro da Legião Tendinha fala sobre um dos objectos sonoros mais surpreendentes do final do século XX. Um disco essencial…

 

Muitos discos me marcaram, mas este mudou a forma como passei a ouvir a música. “Um Bom Começo” era aquilo que precisava em 2000. Tudo mudou. A nível pessoal e profissional. Amores e desamores. Novos desafios. Um novo século. Este disco atingiu-me como um raio na pior das tempestades. Rachou-me a meio para depois me dar a mão. Durante 6 meses não ouvi mais nada. Conduzia sem rumo ao som de guitarras dilacerantes e vozes angelicais.

“Starálfur” foi o primeiro tema que ouvi. Na rádio. Lembro-me como se fosse ontem. O carro estacionado ao som deste tema. E ali ficou parado na berma durante os quase 7 minutos da música. A voz parecia feminina. Cantada numa língua imperceptível. Percebi depois que a banda se chamava Sigur Rós e que o vocalista era um miúdo. Não entendi nada do que cantava, mas a música ficou marcada. Comprei o cd e o resto é história.

Vi-os ao vivo no CCB, em Lisboa, em 2001. Quatro putos. De costas para a audiência, tímidos, como se não tivessem noção do impacto que estavam a ter nas pessoas. Não sei quanto tempo durou o concerto. Não havia grande movimento em palco, por isso fechei os olhos e deixei-me ir. No final, ovação em pé. E os putos tímidos em palco sem saberem o que fazer. Os 300 quilómetros seguintes até ao Porto foram passados em silêncio. Foi esse o efeito que teve o concerto nas três pessoas que seguiam no carro.

“Svefn-g-englar”, “Flugufrelsarinn” ou “Viðrar Vel Til Loftárása” são obras de arte de uma obra prima feita por quatro putos da Islândia. Quem diria?

Este álbum mudou a minha vida e, provavelmente, a de muita gente. Chegou numa noite, vindo do nada. Seduziu-me, abraçou-me e conquistou-me. Já me divorciei algumas vezes dele, mas acabei sempre por voltar. Partilha a minha vida desde o início do século XXI. Partilha a minha paixão desde sempre.

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